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Um pouco do que o Engenho gosta, em movimento e muita discussão
O Grupo Engenho promove, até setembro, duas mostras de teatro paralelas. Uma delas, organizada dentro do projeto Engenho Teatral, leva o teatro à periferia de São Paulo; a outra, nascida desta primeira, reúne doze grupos para discutir processo de criação, linguagem e público
Desde o dia 10 de julho, a tenda do Grupo Engenho, no bairro do Tatuapé, recebe espetáculos para duas mostras que promove: “Teatro em Movimento – Encontro de Grupos” e “Engenho Mostra um Pouco do que Gosta II”. A primeira recebe peças de grupos como Sobrevento, As Graças, Teatro União e Olho Vivo, Cia. do Feijão, entre outros. Ao todo, são doze peças escolhidas por terem, com o próprio Engenho, afinidades de trabalho e linguagem, além de fugirem, a maioria, do espaço cênico tradicional. Já a mostra “Engenho Mostra um Pouco do que Gosta II”, cuja primeira edição ocorreu em 2005, conta com a participação de grupos como Narradores, Entrelinhas, Morpheus e Ocamorana.
ENGENHO MOSTRA UM POUCO DO QUE GOSTA II
Traz quatro grupos cujos espetáculos serão apresentados aos sábados e domingos, às 19h, entre 15 de julho e 6 de agosto, no Engenho Teatral, junto à Estação Carrão do metrô. Há mais de treze anos que o grupo Engenho (fundado em 1979, com o nome de Grupo Apoena) organiza o projeto Engenho Teatral, que se apresenta gratuitamente na periferia de São Paulo, em escolas, igrejas e em sua própria sede, uma tenda com duzentos lugares e todos os equipamentos de luz e projeção necessários. O grupo permanece dois anos em cada local, promovendo uma mostra de artes com as companhias amadoras da região.
No ano passado, o Engenho resolveu fazer uma mostra com outros grupos profissionais, para que as cias. locais tivessem uma referência do que acontece no panorama teatral atualmente. “Foi muito legal para bater-papo, trocar experiências, e resolvemos manter”, afirma Luiz Carlos Moreira, integrante do Grupo Engenho. Em 2006, o Engenho resolveu criar algo muito maior, que ultrapassasse as discussões sobre a experiência de cada grupo após os espetáculos apresentados. “Na hora de organizar, o evento cresceu e tomou outros rumos. Daí nasceu o Teatro em Movimento, que está sendo organizado pelos próprios grupos que estão se apresentando”, diz Moreira. Com outros objetivos, o Teatro em Movimento se destina prioritariamente para os grupos que encenam agora no Engenho, além de grupos de teatro profissional.
TEATRO EM MOVIMENTO - ENCONTRO DE GRUPOS
O evento reúne doze grupos que encenam um espetáculo cada um, a maioria às segundas-feiras. Quatro deles se apresentarão no Engenho, três em outros pontos da Zona Leste e os demais em diversos locais da cidade. O encontro servirá também para que os grupos discutam seus espetáculos e sua organização, na tentativa de formular uma proposta conjunta para a sociedade: “o teatro pode existir e se relacionar com seu público sem a intermediação da mídia e a catraca da bilheteria?”.
A questão estudada será dividida em partes: processo de criação, linguagem e relação com a sociedade. Segundo Moreira, “todos temos claro que a maneira como a gente se organiza não é empresarial, o que a gente faz é de certa forma impagável, o mercado não tem como pagar isso, e, ao mesmo tempo, insistimos em mandar releases para a imprensa, esperar vir público, mas nenhuma bilheteria paga todo o processo de grupo, desde a pesquisa até a encenação”. Moreira critica o que, nas suas palavras, chama de “as funções básicas” impostas pelo mercado ao teatro nacional, como gerar lucro e reproduzir os valores hegemônicos da sociedade em que o teatro se insere. “Normalmente, o teatro que fazemos se contrapõe a estes dois fatores. Então, o que a gente está fazendo e quais relações podemos estabelecer com a sociedade, que não sejam relações mercantis? Essa coisa vamos ter que atacar: que bicho é esse, o grupo de teatro? Qual é e qual deve ser nossa relação com o público”.
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